🎤#Entrevista | “A América Latina precisa acelerar a adoção do espectro para 5G”: Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm

Em conversa com a DPL News, o presidente da Qualcomm para a América Latina comentou as possibilidades que o 5G trará para a região e os planos ambiciosos da companhia.

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A expectativa da Qualcomm para a era 5G na América Latina “não pode ser melhor”, segundo Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a região. Em entrevista para a DPL News, o executivo comentou as possibilidades que a quinta geração da rede móvel trará para a região e chamou a atenção dos países latinos que ainda precisam decidir quais faixas de espectro serão usadas.

Como a América Latina possui muitos recursos naturais, Tonisi acredita que a tecnologia ajudará a aumentar a produtividade e a competitividade de mineradoras, da indústria petrolífera e do agronegócio, por exemplo. 

Quanto aos consumidores, o 5G levará conectividade a lugares que hoje ainda não são atendidos pelo 4G. “O Brasil, por exemplo, como outros países estão fazendo, fará um leilão trocando espectro por investimento direto no governo ou obrigações de cobertura”, afirmou Tonisi.

A expectativa da empresa é ver uma explosão em relação aos casos de uso nas verticais ligadas a commodities, na indústria e nos consumidores.

A promessa do 5G é digitalizar e transformar a América Latina, e levar a gente para um outro estágio de competitividade e produtividade com relação aos outros continentes

Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para América Latina

“Se você pensar na banda larga na América Latina, menos de 20% das casas são conectadas hoje com banda larga de fibra ou cobre. A partir do momento que você tem uma cobertura 5G, você vai poder levar banda larga móvel para todas essas casas ainda não conectadas”. Para isso, a empresa tem apostado nas redes fixas sem fio (FWA).

Em resumo, a promessa do 5G é digitalizar e transformar a América Latina, “e levar a gente para um outro estágio de competitividade e produtividade com relação aos outros continentes”, completou.

Se por um lado as expectativas são as melhores, por outro, ainda não se sabe quando tudo isso se concretizará. O Chile realizou o leilão das faixas de espectro para o 5G em fevereiro e o Brasil deve ter a licitação ainda neste ano. No entanto, há pelo menos 18 países da região sem definir suas regras.

O México é um país importante na região e ainda não decidiu o espectro do 5G. A Colômbia e a Argentina também

Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para América Latina

“Há grandes países na América Latina que precisam tomar uma decisão em relação a qual espectro vai ser usado. O México é um país importante na região e ainda não decidiu o espectro do 5G, quando esse espectro estaria disponível ou leiloado. A Colômbia e a Argentina também”, disse o executivo.

Ele argumenta que os órgãos reguladores e as autoridades desses países precisam acelerar a adoção do espectro, tanto de Sub-6 GHz, quanto de ondas milimétricas.

Nós acreditamos no uso das redes privadas e nas melhorias que vão trazer para a cadeia produtiva

Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para América Latina

Papel da Qualcomm

Se a Qualcomm já foi conhecida pelos processadores de smartphones, essa já não é mais a realidade. A empresa ampliou sua atuação e continua expandindo para atuar com carros conectados e óculos de Realidade Aumentada, por exemplo, aproveitando as oportunidades da evolução para o 5G.

A companhia também está desenvolvendo soluções para ter robôs e máquinas conectadas, com o objetivo de aumentar a velocidade nas linhas de produção e reduzir o desperdício, melhorando a eficiência das indústrias. Tudo isso será possível com a introdução das redes privadas: “nós acreditamos no uso delas e nas melhorias que vão trazer para a cadeia produtiva”.

Recentemente, a empresa e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançaram um fundo de investimento para startups focadas no desenvolvimento de produtos e serviços de Internet das Coisas (IoT). O objetivo é funcionar como um acelerador para atrair investimentos em pequenas e médias empresas do setor.

Tonisi explicou que empresas de qualquer vertical podem se apresentar. “Se determinada empresa tem potencial, o fundo adquire uma participação dela. Com isso, ela tem esse potencial acelerado e é levada para dentro do ecossistema. É uma oportunidade única”.

O presidente da Qualcomm garante que a companhia trabalha para disponibilizar todo o ecossistema do IoT. “Nós vamos ter o end-to-end. Vamos ter todos os dispositivos, estamos desenvolvendo módulos, os modems de IoT. Enfim, estamos trabalhando a cadeia para ter o ecossistema de terminais. Essa tecnologia é 4G, 5G e fala com as redes existentes”.

Lançamentos

A Qualcomm fez diversos lançamentos nas últimas semanas, como o Snapdragon X65, que Tonisi define como “uma fibra sem fibra”, pois permite velocidade de até 10 Gbps, e o primeiro modem de IoT para aplicações na indústria.

O presidente para a América Latina garante que essas e outras novidades, como smartphones baseados em Qualcomm com possibilidade de conectar à rede 5G, chegarão à região a partir do segundo semestre. “Até o final do ano que vem vai ter muita novidade, aparatos e smartphones”, comentou.

Além disso, a companhia está estudando, junto com os fabricantes (OEMs), a possibilidade de produzir módulos IoT na América Latina.

Para Tonisi, a ambiciosa estratégia da Qualcomm é simples: “Vamos ser a empresa do IoT, dos carros conectados, da indústria 4.0, conectando as máquinas, da Realidade Aumentada e Realidade Virtual e dos smartphones. Vamos trabalhar para trazer esse ecossistema pujante para a região”.