Acessos pós-pagos superaram pré-pagos durante a pandemia no Brasil

Relatório da Anatel analisa os impactos da pandemia de Covid-19 sobre o setor de telecomunicações no Brasil.

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A pandemia de Covid-19 pressionou alguns serviços de telecomunicações devido às atividades que eram presenciais e passaram a ser realizadas de forma remota, ao mesmo tempo em que a telefonia fixa e TV por assinatura mantiveram a trajetória de queda. As informações são do relatório da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), divulgado nesta semana.

Um dado interessante é que, desde setembro de 2020, os acessos pós-pagos têm maior market share que os acessos pré-pagos. Em março de 2021, o número de acessos com pagamento pós-pago era de 125 milhões e, do pré-pago, de 115 milhões.

O país já dava sinais de que essa inversão estava para acontecer: a Claro fechou o ano de 2019 com mais clientes no modelo pós-pagos, com 27,4 milhões contra 26,9 milhões do pré-pago. No mesmo ano, quase 50% dos clientes de linhas móveis de todo o Brasil tinham serviço pós-pago.

A telefonia móvel registrou uma grande recuperação, especialmente a partir de maio de 2020. Os números mostravam uma retração anual desde 2017, mas, com a pandemia, houve um crescimento de 6,8% nos 12 meses seguintes a março de 2020. Mesmo com esse aumento, a quantidade de reclamações diminuiu, principalmente aquelas relacionadas à qualidade.

Já os serviços de telefonia fixa e TV por assinatura continuam “numa leve trajetória de queda”, segundo o relatório da Anatel. As reclamações dos dois setores também caíram.

A banda larga fixa chegou em março de 2021 com aproximadamente 37 milhões de acessos, um avanço de 12% entre março de 2020 e fevereiro de 2021. As reclamações também aumentaram, em especial, relacionadas à qualidade do serviço.

Outro fator causado pela pandemia foi a substituição de contratos de menor velocidade para maior velocidade. De acordo com a agência, a faixa de velocidade de banda larga acima de 34 Mbps foi a que teve a maior taxa de crescimento.

Análise de especialistas

O documento ainda traz um resumo das entrevistas com os servidores especialistas em regulação em telecomunicações da Anatel. Eles destacam as atividades de teletrabalho e educação à distância como responsáveis pela adequação à rotina das famílias, empregos e estudos.

Em relação à regulação das telecomunicações, eles entendem que foi necessária uma atuação mais rápida e um acordo entre os agentes para manter níveis adequados de conectividade diante da repentina pressão sobre o setor.

Quanto às lições deixadas pela pandemia, a mais óbvia foi a importância e transversalidade das redes de telecomunicações na vida das pessoas. Isso reforçou o entendimento deles sobre a necessidade de “estabelecer um plano transversal de desenvolvimento econômico no qual as tecnologias digitais tenham um lugar prioritário.”

Os especialistas também ressaltaram que, para a infraestrutura de telecomunicações funcionar plenamente, ela deve vir acompanhada de políticas públicas que promovam o seu crescimento, que seja intersetorial e orquestrada, embasada em evidências e dados.