Brasil ainda não está preparado para aproveitar todos os ganhos do 5G

Para o consultor Daniel Wada, o maior desafio do país é a capacitação de pessoas.

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O Brasil ainda não está preparado para aproveitar todas as oportunidades geradas pela tecnologia 5G, esta foi a ideia apresentada por Daniel Wada, sócio da consultoria ADVISIA, durante o Painel Telebrasil nesta terça-feira, 14, evento organizado pela Conexis.

Para o especialista, o país deveria focar em três pilares: expansão de infraestrutura, desenvolvimento de aplicações e capacitação.

Quanto à infraestrutura, com o leilão do 5G e o cumprimento de todas as obrigações, o Brasil já terá espectro e maior capilaridade da fibra óptica. Também é necessário mais torres e antenas para a plena utilização da quinta geração, ponto que está recebendo atenção de associações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

“O segundo pilar é a parte de aplicações que, a despeito de todos os entraves, o Brasil hoje já tem um ecossistema de inovação pujante, sólido, avançado. E a sociedade brasileira é muito aberta a inovações, ela gosta de rede social, gosta de engajamento, gosta de testar novos modelos de negócios”, comentou Wada.

Isso é importante porque, segundo ele, não adianta ter a infraestrutura que viabiliza o 5G se o consumidor final e as empresas não veem um uso efetivo e não conseguem aproveitar todo o potencial da nova tecnologia.

Para o consultor, o maior desafio é a questão da capacitação da mão de obra. “Apesar dos elevados índices de desemprego gerais da população, para a mão de obra especializada, a gente tem dificuldade de contratação. Não só a consultoria, mas também as operadoras, os fornecedores de equipamentos e o pessoal capacitado para as agências regulatórias e públicas”, explicou.

Sem pessoas para desenvolver novos modelos de negócios e desenvolver as aplicações, por exemplo, o Brasil corre o risco de perder a janela de oportunidade que o 5G está abrindo. Entretanto, Wada se mantém otimista e acredita que o país estará pronto em breve.

Oportunidades

Algumas das oportunidades que a quinta geração vai criar foram mencionadas pelos outros participantes do evento. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que a tecnologia vai acrescentar US$ 1,2 trilhão à economia do país nos próximos anos. O presidente da Anatel, Leonardo Euler de Morais, estima que o leilão do 5G será responsável por gerar investimentos de R$ 160 bilhões em 20 anos.

O CEO da Huawei, Sun Baocheng, ressaltou o incremento na indústria de telecomunicações, que possibilita Realidade Virtual e transmissões ao vivo de maior qualidade, além de possibilitar a digitalização das outras indústrias.

“A agricultura é o segmento industrial que mais cresce no Brasil, a tecnologia de Inteligência Artificial vai acelerar a produção. A Huawei está fazendo algumas práticas agrícolas. Por exemplo, em novembro do ano passado, cooperamos com parceiros para instalar o primeiro uso de nuvem na agricultura. Associado a outras tecnologias, elas reduzem os períodos de colheita e também os custos em 90%”, afirmou Baocheng.

“Outro caso é a logística. Como fabricantes locais, nós estabelecemos um caso para melhorar as aplicações”. Ele disse que foi possível aumentar a eficiência da logística em 30%.