Brasil deixa a desejar na formação de profissionais em tecnologia

Estudo da Brasscom mostra que a formação de profissionais TIC no Brasil não acompanha o crescimento do setor, que oferecerá 797 mil vagas até 2025. Em 5 anos, o déficit será de 530 mil.

159

Leer en español

Com o crescimento do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil, a procura por profissionais especializados aumenta a cada ano. A projeção mais recente da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais) mostra que a indústria brasileira demandará 797 mil profissionais entre 2021 e 2025.

Apesar da boa notícia de geração de emprego, o setor brasileiro sofre com a falta de mão de obra qualificada. O país forma aproximadamente 53 mil pessoas em cursos com perfil tecnológico por ano, o que resultará, em 4 anos, em um déficit de 530 mil profissionais.

“O novo estudo demonstra que o problema de falta de talentos foi agravado”, afirma Sergio Paulo Gallindo, presidente executivo da Brasscom, comparando o documento ao relatório publicado há dois anos. Na época, a projeção era de que a demanda seria de 420 mil profissionais de 2019 a 2024.

“Mas uma coisa continua valendo: o Brasil tem vocação para a tecnologia e, se esse desafio for encarado de frente, o país garantirá não apenas que o setor continue crescendo exponencialmente, como oportunizará uma verdadeira transformação da realidade socioeconômica de milhares de famílias.”

Isso porque a média de salários do setor TIC é de R$ 5.028, enquanto a média nacional é de R$ 2.001. Em serviços de alto valor agregado e software, os valores chegam a R$ 5.805 e R$5.699, respectivamente.

Em outubro, Gallindo afirmou à DPL News que os motivos para a falta de profissionais qualificados no Brasil estão baseados em cinco pontos principais: baixo interesse dos jovens, debilidade do ensino médio, insuficiência socioeconômica, habilidade emocional e a questão sociorracial.

Para a associação, é necessário despertar o interesse dos jovens pela formação em tecnologia, sobretudo entre mulheres e negros. Nos cursos de TIC, por exemplo, 85,2% do total de alunos são homens e apenas 14,8% são mulheres.

ΣTCEM

Em uma tentativa de qualificar mais pessoas, a Brasscom desenvolvem a estratégia ΣTCEM (soma de Tecnologia, Ciências, Engenharia e Matemática). A proposta é ofertar disciplinas eletivas em cursos correlatos para capacitar os alunos em TIC.

Quanto menor a afinidade do curso, maior deve ser a inoculação tecnológica. Por exemplo, para a inoculação tecnológica para Big Data & Analytics, o curso de programação deveria ofertar as disciplinas Big Data & Analytics, Linguagens de tratamento de dados (R e Python) e Programação.

A associação defende que, com a estratégia, o número de pessoas capacitadas ΣTCEM em seria de 246 mil por ano, superando a demanda. “Os dados mostram que há muito emprego no setor, mas também que as grades do ensino superior precisam estar mais bem alinhadas ao que o mercado de trabalho precisa”, diz Helena Loiola, economista que coordenou o estudo da Brasscom.