Brasil | Dificuldade de instalar antenas 5G preocupa empresas

O presidente do Movimento Antene-se disse que há 300 leis municipais que impedem a implementação de novas infraestruturas de telecomunicações.

206

Leer en español

Para o Movimento Antene-se, o maior desafio das cidades brasileiras para a implementação do 5G são as leis municipais que impedem a instalação de infraestruturas. Luciano Stutz, presidente do projeto, falou sobre o tema durante o Futurecom Digital Week nesta quinta-feira, 11.

“Há no Brasil cerca de 300 leis municipais que impedem, restringem ou dificultam de alguma forma a implementação de novas infraestruturas de telecomunicações, de torres, de postes, de dutos e de redes em geral”, disse Stutz, acrescentando que as mudanças nessas leis são imperiosas para instalar as infraestruturas necessárias para pendurar as antenas 5G.

A cidade de São Paulo, por exemplo, é a maior capital do Brasil e é alvo de maior preocupação do Antene-se. Atualmente, há um projeto de lei tramitando na Câmara Municipal de São Paulo para fazer essa modernização, mas a lei anterior, de 2004, determinava que a torre só poderia ser implantada em um terreno com frente para uma rua com no mínimo de 10 metros de largura.

As antenas para o 5G não precisam da mesma infraestrutura que as gerações anteriores. Stutz afirma que elas são facilmente aplicáveis no mobiliário urbano, como em bancas de jornal ou em fachada de prédios.

“Para a utilização dos serviços digitais públicos ou privados, é necessário que os usuários tenham conectividade em suas casas”, lembrou o presidente do movimento.

Além disso, o edital para o leilão do 5G exige a implementação de 5G nas capitais brasileiras até meados de 2022 e compromissos de cobertura de 4G ou 5G em cidades e localidades brasileiras. Para isso acontecer, é necessário que os municípios estejam preparados.

Um levantamento recente da Conexis Brasil Digital, associação que representa as grandes operadoras, mostrou que apenas sete das 27 capitais brasileiras têm alta aderência à Lei Geral de Antenas, que facilita a instalação de infraestrutura. Outras nove possuem média aderência e quatro cidades que estão trabalhando na alteração da legislação.

“A Internet móvel 4G é capaz de mudar a vida das pessoas porque já permite o home office e o home schooling.” Stutz acrescentou que o empreendedorismo por meio de aplicativos foi capaz de mudar a vida de 42% das pessoas que vivem nas comunidades.

“Não vai haver smart cities, cidades conectadas ou soluções inovadoras nas comunidades se não houver uma lei municipal que permita implementar torres, postes e antenas necessários para levar cobertura de telefonia celular e internet móvel para todo mundo”, concluiu.

O Movimento Antene-se reúne a Abrintel, Associação Brasileira Online to Offline, Brasscom, Conexis, Feninfra, TelComp e CNI.