Brasil tem pressa para implementar o 5G, segundo Fábio Faria

O ministro participou de uma audiência com deputados das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Educação nesta quarta-feira, 11.

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A Câmara dos Deputados recebeu o ministro das Comunicações, Fábio Faria, na tarde desta quarta-feira, 11, para discutir questões sobre o edital do 5G. Apesar das dúvidas e preocupações dos parlamentares quanto ao parecer técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), Faria disse que só irá se pronunciar após a votação do edital 5G na próxima semana.

“Eu vi que teve uma nota técnica falando sobre a rede privativa, sobre o Norte Conectado, mas nós já distribuímos todos os memoriais para os ministros e estamos confiantes que eles entendem e sabem a importância que o 5G tem para o Brasil”, afirmou o ministro.

Na manhã do mesmo dia, ele comentou que o edital está pronto e que qualquer mudança pode atrasar a licitação em oito meses.

Pressa

O ministro disse que tem pressa em realizar o leilão porque “todos os países hoje estão disputando para ver que consegue implementar mais depressa o 5G. Os países que conseguiram colocar o 4G antes dos outros tiveram um diferencial enorme. A nossa indústria não pode ficar para trás.”

Além disso, mencionou o objetivo de universalizar o acesso à Internet para os brasileiros e, em outro momento, citou que o presidente Jair Bolsonaro prioriza a temática porque foi eleito com ajuda dos meios digitais.

Conectividade nas escolas

A deputada Professora Dorinha (DEM-TO) questionou o ministro sobre como o governo garantirá conectividade de qualidade nas escolas brasileiras se esse compromisso não consta no edital.

Faria respondeu que a obrigação das empresas vencedoras do leilão é de cobrir 95% das cidades – ele defende que isso conectará as escolas automaticamente – e que tanto o Ministério das Comunicações (MCom) quanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) irão fiscalizar esse trabalho mensalmente.

A posição do MCom é que os compromissos do edital, que incluem expansão das redes 5G, 4G e de fibra óptica, podem atender 89.321 instituições públicas de ensino básico, além de 520 escolas pelo Programa Amazônia Integrada e Sustentável.

Participação da Huawei no 5G do Brasil

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) ainda levantou a discussão sobre a participação da Huawei na implementação das redes 5G no Brasil. 

Recentemente, jornais brasileiros afirmaram que os Estados Unidos teriam oferecido ao Brasil tornar-se um parceiro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em troca de medidas restritivas da Huawei. A proposta teria sido feita durante a visita de autoridades estadunidenses ao país na semana passada.

Faria disse que não tem conhecimento dessa informação e que só participou de uma reunião referente ao Open RAN.

“Quando as empresas ganharem e forem adquirir equipamentos, se os governos [dos Estados Unidos e da China] quiserem fazer essa guerra, vai ser bom para as teles. Se chegarem os americanos e oferecerem um financiamento para que eles comprem um equipamento, vai ser uma guerra de preços. Isso não cabe ao governo, porque elas [as fabricantes] não participam do leilão”, afirmou.

Por sua vez, o governo dos Estados Unidos negou ter oferecido parceria da Otan ao Brasil, mas confirmou a pressão em relação à companhia chinesa. “Nós continuamos tendo preocupações sobre o papel potencial da Huawei na infraestrutura de telecomunicações do Brasil”, declarou um porta-voz da Casa Branca nesta segunda-feira, 9.