Como a Inteligência Artificial pode ser utilizada para melhorar a eficiência na indústria

Em evento virtual, os painelistas comentaram como a IA é adotada na indústria, quais são os desafios e como construir uma cultura orientada para dados nas empresas.

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Mesmo em diferentes aplicações, o objetivo da Inteligência Artificial (IA) nos processos industriais é melhorar a eficiência. No painel virtual “Inteligência Artificial na indústria 4.0” nesta quarta-feira, 2, os painelistas mostraram como a tecnologia tem sido usada para aprimorar a produtividade.

Angelo Figaro, CIO da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, comentou que a empresa utiliza sensores nas máquinas para fazer a predição de quando elas precisarão de manutenção, antes que aconteça alguma falha.

“Hoje nós produzimos um carro por minuto. Então cada minuto que a fábrica está parada é potencialmente uma perda grande de eficiência e de rentabilidade para a organização”, contou.

A companhia também faz previsão de vendas. Figaro explicou que eles analisam a influência de 117 variáveis nas vendas de automóveis e informam às concessionárias sobre quais carros comprar em maior ou menor quantidade.

A visão em uma empresa alimentícia é distinta, segundo Renata Zepelini, Senior IT Director da PepsiCo. A executiva esclareceu que visualizar a cadeia de ponta a ponta é importante já que “a jornada da PepsiCo se inicia no campo, desde a plantação da batata, o transporte da batata no tempo correto para a operação, passando pela produção sem interromper o ciclo produtivo e atendendo a demanda dos clientes e consumidores na ponta”.

Esse processo contínuo permite diversos usos de IA, mas todos dependem de dados coletados durante a fabricação. Com isso, surgem dúvidas como “quais dados são necessários? Quais questões eu preciso resolver para melhorar a eficiência? Onde armazenar os dados?”, comentou Zepelini.

Para superar esses desafios é cada vez mais importante construir uma cultura orientada para dados nas companhias, defendeu Lyzbeth Cronembold, fundadora e CEO da Changers.

Isso exige que as lideranças sejam estratégicas ao criar hábitos de boas práticas diárias para atrair e reter talentos, e entendam de letramento de dados. Dessa forma, será possível “construir os projetos que irão revolucionar o ambiente onde todos estão inseridos”.

Blockchain na indústria 4.0

Além da IA, o blockchain é outra tecnologia que pode impulsionar ainda mais a transformação digital, principalmente por meio da criação de novos modelos de negócios.

De acordo com Cristiane Tarricone, conselheira do Instituto Colaborativo de Blockchain, a plataforma permite o diálogo direto com o consumidor final, o que garante mais credibilidade.

“O blockchain traz credibilidade porque todos os dados são criptografados. Você faz a autenticação e a criptografia de uma informação digital, que é transferida para a outra ponta. Esta recebe o dado e tem certeza de que não foi falsificado, nem alterado no meio do caminho”, disse a especialista.

Para ela, tanto o blockchain quanto a IA têm o potencial de criar novos modelos de negócios e obter novas fontes de receitas. “Essas tecnologias combinadas potencializam a experiência que o cliente vai ter com o serviço e com o produto”.

Tarricone citou o caso do Starbucks. A rede de cafeterias está trabalhando no uso de tokens que, ao perceber a aproximação de uma pessoa, sugere um pedido baseado nas escolhas dela. Trata-se de uma personalização possibilitada pela IA.

Além disso, a companhia vai usar blockchain para fazer a autenticação e garantir para o consumidor que o produto recebido corresponde ao pedido. “Se você está no Brasil e decide tomar um café colombiano, como garantir que o café no seu copo é colombiano? O blockchain vai autenticar essa informação na rede”, concluiu.