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Focado no leil茫o do 5G, o Brasil ainda tem grandes possibilidades de neg贸cios no 4G em um dos setores mais importantes da sua economia: o agroneg贸cio. 鈥淨uando a gente olha o que se faz com a conectividade no agro hoje, o 4G atende 99% das aplica莽玫es鈥, afirmou Gregory Riordan, presidente da associa莽茫o ConectarAGRO, 脿 DPL News.

Isso n茫o significa que o 5G ser谩 descartado no campo, a tecnologia dever谩 ser utilizada em conjunto at茅 que surjam mais aplica莽玫es totalmente baseadas no 5G, mas 鈥渁 gente ainda acredita no 4G para o futuro do agro鈥, pelo menos para os pr贸ximos cinco anos.

Embora seja uma tecnologia promissora, apenas 8,71% da 谩rea rural do pa铆s possui cobertura 4G, segundo dados da Ag锚ncia Nacional de Telecomunica莽玫es (Anatel). Em contraste, 88,97% da zona urbana do pa铆s t锚m o sinal.

Foi pensando em viabilizar conectividade de uma forma acess铆vel, simples e uniforme entre os fazendeiros do pa铆s que oito empresas 鈥 incluindo concorrentes 鈥 se uniram em 2019. Dois anos depois, a associa莽茫o j谩 conectou 6,1 milh玫es de hectares pelo Brasil e beneficiou mais de 50 mil propriedades e 600 mil pessoas indiretamente.

A pr贸xima meta de cobertura do ConectarAGRO 茅 ambiciosa: a associa莽茫o quer chegar 脿 marca de 13 milh玫es de hectares conectados com 4G em 2022. Mesmo dizendo que ser谩 鈥渄铆ficil鈥, o presidente ressalta que, em breve, ser茫o anunciados quase 30 novos membros no grupo, o que dever谩 ajudar a alcan莽ar esse e outros objetivos.

Atualmente, o ConectarAGRO re煤ne CNH Industrial, AGCO, Bayer, Jacto, Solinftec, Trimble, Nokia e TIM.

Confira a entrevista completa:

DPL News: Como nasceu o ConectarAGRO?

Gregory Riordan: As empresas que hoje s茫o s贸cias do ConectarAGRO se encontravam em v谩rios f贸runs ligados ao agroneg贸cio e, naquele momento [2018], come莽ou a ficar aparente que a agricultura de precis茫o estava indo para uma dire莽茫o de agricultura digital. Ou seja, al茅m de toda a automa莽茫o, piloto autom谩tico e barras de luzes, os produtores estavam buscando tecnologias que transmitissem informa莽茫o da m谩quina, para utilizar isso no gerenciamento das atividades nas lavouras.

S贸 que isso estava acontecendo de uma forma desordenada. Cada um inventava sua solu莽茫o de conectividade e propunha para o produtor. Muitas vezes, um fazendeiro tinha tr锚s ou quatro diferentes solu莽玫es que precisavam de conectividade e, ao mesmo tempo, tr锚s ou quatro diferentes solu莽玫es de conectividade. Come莽ou a ficar complexo, caro, e o produtor tinha dificuldade de lidar com isso.

A gente pesquisou por v谩rios meses e chegamos a algumas algumas conclus玫es: primeiro, o produtor queria uma rede aberta, no sentido de que ele pudesse conectar o todas as solu莽玫es em uma mesma rede; segundo, ele queria algo acess铆vel, com um custo benef铆cio aceit谩vel; e, terceiro, ele pedia uma coisa simples.

Esses tr锚s direcionamentos nos levaram a entender que a tend锚ncia seria uma rede p煤blica e 4G, para poder atender as diversas aplica莽玫es que os produtores estavam procurando.

Em 2018, o desligamento da TV anal贸gica estava disponibilizando a faixa dos 700 MHz, que 茅 mais baixa do que a tipicamente usada no Brasil e que faz o sinal ir mais longe. No ambiente agr铆cola, isso 茅 importante para cobrir uma 谩rea maior. Entretanto, essa tecnologia est谩 muito voltada para as cidades. A ConectarAGRO surgiu a partir da falta de conectividade do campo.

DPL News: Quais foram as metas alcan莽adas? 

Gregory Riordan: At茅 o momento, n贸s completamos 6,1 milh玫es de hectares. O legal disso 茅 o efeito colateral social. Esses 6 milh玫es de hectares trouxeram conectividade de qualidade para mais de 600 mil pessoas e 25 mil quil么metros de rodovia, por onde circulam produ莽茫o, pessoas e neg贸cios.

Esses projetos viabilizados por grandes propriedades tamb茅m trouxeram conectividade para mais de 50 mil propriedades, porque, depois que colocamos a torre no local, ela cobre todo o raio em volta. E, aqui no Brasil, uma grande quantidade de produtores tem propriedades abaixo de 100 hectares. Ent茫o, dessas 50 mil propriedades, 90% s茫o pequenos produtores que foram beneficiados pela conectividade. 

A gente tem uma meta que 茅 chegar a 13 milh玫es de hectares cobertos em 2022

DPL News: E quais s茫o os pr贸ximos objetivos?

Gregory Riordan: A gente tem uma meta que 茅 chegar a 13 milh玫es de hectares cobertos em 2022. 脡 bastante dif铆cil, talvez atrase um pouquinho.

Tamb茅m temos o programa de educa莽茫o do ConectarAGRO, em que estamos fazendo uma parceria com uma fazenda no Centro-Oeste para um piloto. O objetivo 茅 entender como usar a conectividade, atrav茅s de ferramentas de ensino a dist芒ncia, para profissionalizar o pessoal que ser谩 impactado pela conectividade, tanto quem j谩 est谩 na ro莽a operando as m谩quinas, para que eles tirem o m谩ximo do proveito, quanto os mais jovens. N贸s vamos explicar quais s茫o os benef铆cios, as vantagens e as ferramentas que eles podem usar no campo, para eles estarem prontos para o mercado quando se formarem na escola.

Outra frente 茅 de novos modelos de neg贸cios, porque nem todo o Brasil 茅 de grandes fazendas. Pensamos em como criar um modelo de neg贸cios que tamb茅m permita levar essa cobertura para regi玫es como Paran谩 e Rio Grande do Sul que, ao inv茅s de ter um grande produtor, tem v谩rios pequenos produtores que poderiam investir em uma torre de forma coletiva.

Hoje, o investimento de cobertura de conectividade gira em torno de meia saca de soja por hectare, aproximadamente R$ 70,00 ou R$75,00

DPL News: Quais os maiores desafios de conectar 谩reas produtivas no Brasil?

Gregory Riordan: O primeiro aspecto 茅 conscientizar as pessoas que est茫o no campo dos benef铆cios da conectividade, para que fique claro de que vale muito a pena.

Hoje, o investimento de cobertura de conectividade gira em torno de meia saca de soja por hectare, aproximadamente R$ 70,00 ou R$75,00. O benef铆cio, j谩 no primeiro ano, 茅 praticamente tr锚s ou quatro vezes esse valor, d谩 dois sacos de soja por hectare, devido 脿 redu莽茫o de consumo de combust铆vel, o melhor plantio, a precis茫o maior dos sistemas de direcionamento. A conectividade ajuda em todo o orquestramento das opera莽玫es de manuten莽茫o, log铆stica e opera莽茫o para garantir que a m谩quina esteja sempre trabalhando.

Outro desafio 茅 saber como eu tiro proveito da conectividade, como garanto que as solu莽玫es realmente v茫o trazer benef铆cios para o produtor nas suas diferentes atua莽玫es. Porque tem produtor que planta soja, tem produtor que planta cana, tem produtor que produz gado, ent茫o a agricultura 茅 muito diversa e tem v谩rias oportunidades para diferentes solu莽玫es conectadas. Enriquecer esse ecossistema para usufruir bem da conectividade 茅 um dos principais desafios.

DPL News: Uma vez que a conectividade m贸vel chega a uma determinada 谩rea rural, quais s茫o as primeiras ferramentas que um produtor deve adotar para seu neg贸cio ficar mais produtivo?

Gregory Riordan: A necessidade mais b谩sica 茅 o sinal do celular. Na minha 茅poca inicial de agricultura, quando eu ia para as fazendas, houve v谩rias situa莽玫es que eu ia procurar uma m谩quina para fazer manuten莽茫o e levava meio dia pra encontrar o equipamento. Essa comunica莽茫o e log铆stica talvez seja a coisa mais b谩sica que a telefonia traz para n贸s. Se algu茅m me manda a localiza莽茫o no WhatsApp, eu vou direto at茅 a m谩quina sem perder tempo.

Depois, tem uma s茅rie de funcionalidades que j谩 saem embarcadas nas m谩quinas. A maioria j谩 sai com piloto autom谩tico, com telemetria. Quando voc锚 chega no ambiente n茫o conectado, voc锚 subutiliza essas tecnologias, j谩 no ambiente conectado voc锚 vai ter todas as informa莽玫es indo da m谩quina para o escrit贸rio, e vai poder usar todas as ferramentas de gest茫o. Eu diria que o segundo passo seria o monitoramento das m谩quinas.

Tem uma s茅rie de outras ferramentas mais avan莽adas, como drone para fazer mapeamento a茅reo e em tempo real, pulveriza莽茫o utilizando drones, que a conectividade viabiliza. Mas acho importante entender que algumas coisas s茫o muito b谩sicas e v茫o dar um incremento gigantesco, depois tem uma s茅rie de outras coisas que s茫o os pr贸ximos passos.

DPL News: Quais s茫o as perspectivas com o leil茫o do 5G para o agro?

Gregory Riordan: Estamos estudando o 5G, algumas aplica莽玫es espec铆ficas de menor lat锚ncia podem entrar no agro, mas, na nossa vis茫o, o 4G 茅 a tecnologia que vai ajudar a trazer a conectividade para o campo e resolver a problem谩tica imediatamente. 

Acho que o leil茫o do 5G vai nos ajudar inicialmente pelas contrapartidas do 4G que v茫o favorecer a expans茫o no agroneg贸cio, nos meios remotos agr铆colas e tamb茅m nos meios remotos das rodovias.

DPL News: Por que hoje o 4G 茅 o mais adequado para o agroneg贸cio?

Gregory Riordan: Primeiro, porque est谩 dispon铆vel. A gente precisa de uma tecnologia para cobrir agro hoje e avan莽ar rapidamente. O leil茫o do 5G vai mudar isso, porque o sinal vai come莽ar a estar dispon铆vel.

O segundo aspecto 茅 que, hoje, na frequ锚ncia dos 700 MHz, principalmente, eu consigo colocar torres mais distantes uma da outra para cobrir uma 谩rea grande. O 5G utiliza frequ锚ncias mais altas, o que 茅 ideal para uma Avenida Paulista, por exemplo, mas dentro do ambiente agr铆cola, uma torre s贸 cobre uma parte da fazenda.

Terceiro, e talvez mais importante, 茅 que todas as aplica莽玫es que a gente v锚 hoje e daqui a cinco anos, o 4G atende muito bem. 脡 uma quest茫o de casar a tecnologia com a necessidade. Mas n茫o temos nada contra o 5G, acho que vai ser uma evolu莽茫o natural.

N贸s estamos 脿 disposi莽茫o, como institui莽茫o, de discutir com empresas e iniciativas de cada pa铆s para ajudar e dividir o nosso aprendizado

DPL News: Existem planos de expans茫o do ConectarAGRO para outros pa铆ses?

Gregory Riordan: N茫o 茅 nossa prioridade hoje, mas acho que o modelo do ConectarAGRO pode ser expandido. N贸s estamos 脿 disposi莽茫o, como institui莽茫o, de discutir com empresas e iniciativas de cada pa铆s para ajudar e dividir o nosso aprendizado, para que possam acelerar esse tipo de iniciativa. 

Hoje, nossa prioridade 茅 o Brasil, mas estamos muito dispostos a dialogar, ajudar e apoiar qualquer iniciativa que tentar fazer a mesma coisa fora daqui.