Conectividade aumenta 26% da renda dos pequenos empreendedores do Brasil

Entre os moradores das favelas, a Internet aumenta até 35% dos ganhos. Entretanto, as favelas estão entre as regiões que mais carecem de conectividade de qualidade.

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Photo by Mauro PIMENTEL / AFP

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O Brasil ganhou 11,2 milhões de trabalhadores por aplicativo em 2020, sendo que dois terços dessas pessoas mantiveram ou ampliaram a renda por meio dos aplicativos, revelou a pesquisa do Instituto Locomotiva, apresentada por Renato Meirelles nesta segunda-feira, 30, durante a discussão sobre Conectividade e Empreendedorismo do Movimento Antene-se.

Ele também informou que uma das maiores dificuldades para obter a renda é o sinal da Internet. Isso afeta especialmente os moradores de favelas, onde a conectividade é mais precária devido à falta de infraestrutura de telecomunicações.

“Como a gente vai dizer que o futuro está nas micro e pequenas empresas sem oferecer acesso à Internet de qualidade para essas pessoas?”, questionou Meirelles. “Se você não tem infraestrutura para isso, essas pessoas passam a ganhar menos e a economia como um todo se prejudica.”

Os dados indicam que a Internet é responsável por aumentar a renda dos pequenos empreendedores brasileiros em 26%. Entre os moradores das favelas, a conectividade é responsável por aumentar até 35% dos ganhos.

Infraestrutura de telecomunicações

Um estudo apresentado por Luciano Stutz, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (Abrintel), mostrou que os lugares de renda média mais baixa são os que mais sofrem pela falta de infraestrutura de telecomunicações, o que leva a uma pior qualidade do serviço. Isso acontece na cidade de São Paulo e se repete na região metropolitana do Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Goiânia, Manaus e Salvador.

Ele explica que há uma relação entre as restrições impostas pelas legislações para a instalação de infraestruturas e a concentração desigual das torres nas cidades. Um exemplo disso é exigir recuo acima de 5 metros em um terreno para instalar uma infraestrutura, “esse tipo de recuo elimina a possibilidade de implantação na maior parte dessas regiões mais precárias”, afirmou Stutz.

Para além das periferias, o presidente da Abrintel indicou que não há nenhuma capital brasileira com média menor do que 1.000 habitantes por antena. Nos Estados Unidos, por exemplo, a média era de 940 habitantes por infraestrutura em 2018, no auge do 4G.

A quinta geração da rede móvel, que está prestes a ser implementada no Brasil de forma massiva, exigirá cerca de 10 vezes mais antenas do que o 4G. Ou seja, para a tecnologia funcionar no país de forma plena, deve-se atuar no destrave da instalação de infraestruturas. Esse é um dos objetivos do Movimento Antene-se.

Anatel

A iniciativa conta com o apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em um vídeo enviado ao evento, Leonardo Euler de Morais, presidente da Anatel, contou que a agência vai lançar um espaço em seu site para abordar as melhores práticas municipais e legislativas a fim de esclarecer sobre os regramentos de licenciamento e de outorga e exposição de radiação não ionizante, por exemplo. A página na web também contará com mapas de cobertura móvel, disse Morais.

E explicou: “o objetivo da Anatel é ter um hub de informações para que gestores, formuladores de políticas públicas municipais e prefeitos possam ter um melhor embasamento sobre como essa questão é crucial para melhorar a infraestrutura digital do país”.