Conectividade: Pesquisa mostra desigualdade entre escolas públicas e privadas durante pandemia

Apenas 35,5% das escolas públicas tiveram aulas ao vivo pela Internet, ante 69,8% das escolas particulares.

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Um dos setores mais afetados pela pandemia de Covid-19 no Brasil foi a educação. Em comparação com outros países, o Brasil teve um período expressivo de suspensão de atividades presenciais: foram 279 dias em 2020. Enquanto o Chile e a Argentina, por exemplo, ficaram 199 dias sem trabalhos presenciais entre 11 de março de 2020 e 2 de fevereiro de 2021, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A pesquisa “Resposta educacional à pandemia de COVID-19 no Brasil”, realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostrou os impactos e as respostas educacionais das escolas de educação básica, evidenciando a desigualdade de acesso à Internet entre alunos rede pública e privada. O questionário foi aplicado entre fevereiro e maio de 2021.

O estudo revelou que 99,3% das instituições de ensino suspenderam as atividades presenciais em 2020. A comunicação direta entre aluno e professor por e-mail, telefone, redes sociais e aplicativo de mensagem foi o método mais adotado para manter contato e oferecer apoio aos estudantes.

Diferenças

Quanto aos materiais pedagógicos, a estratégia mais utilizada nas escolas públicas foi a disponibilização de materiais impressos para retirada, assinalada por 94,2%. Entre as instituições privadas, o número caiu para 87,3%.

Já a disponibilização de materiais na Internet, como plataformas virtuais, vídeos, podcasts e publicações em redes sociais, caiu para 77,4% entre as escolas públicas, ante 90,2% das particulares.

A maior desigualdade foi na realização de aulas ao vivo pela Internet, com possibilidade de interação entre alunos e professores. Nas instituições públicas essa estratégia foi adotada por 35,5%, enquanto, nas privadas, por 69,8%.

Isso pode ser explicado pelo menor acesso à rede entre os estudantes das escolas públicas. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, enquanto 98,4% dos alunos do ensino privado utilizam a Internet, este percentual entre os alunos da rede pública é de 83,7%.

A diferença é ainda maior entre as regiões do país. No Norte e Nordeste, o percentual de estudantes da rede pública que utilizaram a Internet foi de 68,4% e 77,0%, respectivamente. Nas outras regiões, o número variou de 88,6% a 91,3%.

Já no ensino privado, o percentual de uso da Internet ficou acima de 95% em todas as grandes regiões. No Sudeste e Centro-Oeste, o número bateu 99% e, no Sul, chegou a 99,4%.

Outros dados

Outras informações importantes da pesquisa do Inep, principalmente para as escolas públicas, são o acesso gratuito à Internet em casa (6,6%) e a disponibilização de equipamentos para uso do aluno (8,7%). O número aumenta quando falamos das escolas federais (82,5% e 80,9%, respectivamente) e estaduais (21,2% e 22,6%, respectivamente), mas cai entre as municipais (2% e 4,3%, respectivamente).

A Lei 14.172/21, sancionada em junho, garante o repasse de R$ 3,5 bilhões da União para estados e municípios, para garantir o acesso à Internet pelos alunos e professores da rede pública que estão realizando atividades remotas. Com os recursos, podem ser comprados planos de Internet e dispositivos móveis.