Ericsson e Claro: demanda por 5G vai exigir mais equilíbrio entre espectro de uso licenciado e não licenciado

Diretores das duas empresas defenderam uma melhor divisão entre o espectro de uso licenciado e não licenciado nas bandas médias.

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Até o final de 2021, a expectativa é que o 5G tenha 580 milhões de assinantes no mundo, o que corresponde a mais de um milhão de novos usuários por dia, segundo Paulo Bernardocki, diretor de Tecnologia de Redes da Ericsson.

O executivo apresentou os dados no Painel Telebrasil nesta terça-feira, 14, para mostrar o rápido avanço do 5G. Segundo ele, a quinta geração vai chegar a um bilhão de usuários dois anos mais rápido do que o 4G demorou para conseguir atingir, “é um crescimento muito representativo”.

Toda essa demanda vai colocar uma pressão sobre a necessidade de espectro, principalmente nas bandas médias. “Entre 2025 e 2030, na cidade de São Paulo, haverá a necessidade entre 2,4 e 2,8 GHz de espectro licenciado adicional”, disse Bernardocki, apresentando informações de um relatório recente da GSMA

Isso reforça a ideia divulgada por Monique Barros, diretora Regulatória da Claro, que também estava presente no painel. A executiva explicou que atualmente há um desequilíbrio nas bandas médias entre o espectro destinado ao uso licenciado, utilizado pelas operadoras, e o uso não licenciado, como para o Wi-Fi.

Ela disse que há 575 MHz destinados ao serviço móvel e 673 MHz para o uso não licenciado. Com o leilão do 5G e a destinação de toda a faixa de 6 GHz para o Wi-Fi 6, serão 1.065 MHz para uso licenciado e 1.883 MHz para não licenciado.

“Será que não faria mais sentido um equilíbrio nessa alocação e, eventualmente, manter 500 MHz para o uso não licenciado, aumentando o uso, mas alocando 700 Mhz para uma licitação futura dos 6 GHz?”, questionou Barros.

Baixa frequência

Quanto às faixas de baixa frequência, Bernardocki defende a disponibilização de 600 MHz e o rearranjo da banda de 800 MHz para o 5G. “Se a gente quer fazer a tecnologia chegar mais longe e chegar onde as pessoas nos lugares mais remotos possam desfrutar da tecnologia, é necessário que também haja espectro disponível nas bandas baixas em 5G”, concluiu o diretor da Ericsson.