Especialista sugere sandbox em Política Nacional de Cidades Inteligentes

Em audiência pública sobre cidades inteligentes, os especialistas sugeriram tomada de decisões baseada em dados.

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As cidades deveriam testar tecnologias em escalas menores antes de implementá-las em todo o município, permitindo que a população valide a ferramenta a ser instalada. Essa foi uma das ideias apresentadas pelos especialistas em audiência pública na Câmara dos Deputados realizada nesta quarta-feira, 25, sobre a Política Nacional de Cidades Inteligentes (PNCI).

O texto define os princípios gerais e objetivos que deverão ser seguidos pelos municípios e prevê o apoio federal na implementação das medidas. A proposta do Projeto de Lei 976/2021 aguarda o parecer da Comissão de Desenvolvimento Urbano.

Tiago Chagas Faierstein, gerente de Novos Negócios da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), defendeu a criação de sandbox nas cidades para testar as tecnologias antes de aplicá-las em maior escala. “As tecnologias, por melhores que sejam, precisam ser adequadas à realidade daquele município”, afirmou.

Ele se baseou em uma recomendação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2017. “A OCDE fala que as cidades estão se tornando grandes hubs de geração de dados. Então, se eu tenho várias gamas de sensores que estão gerando dados de tecnologias, por que não tomar decisões baseadas neles?”, comentou.

O principal objetivo do sandbox para cidades inteligentes é reduzir as assimetrias de conhecimento entre o poder público e a população e o ecossistema das empresas que fornecem as tecnologias para as cidades. Já o diferencial é dar liberdade para as companhias testarem as inovações e validarem com a população.

Robert Janssen, vice-presidente de Relações Internacionais da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), reforçou a ideia mencionada por Faierstein. “Quem não se orientar pelos dados, eventualmente vai estar descolado da realidade e cada vez mais longe de ter uma prática assertiva”, disse.

A política de dados abertos também foi mencionada pelo representante da Assespro: “Deve ser observada como o mínimo para qualquer cidade que queira efetivamente ser inteligente, porque ela só conseguirá [ser inteligente] se estiver se orientando pelos dados.”

Mobilidade 

A coordenadora do Comitê de Políticas Públicas, Luísa Feyo Guimarães, abordou especialmente o tema da mobilidade urbana. Ela ressaltou que, nas cidades inteligentes, o sistema é baseado em ganha-ganha-ganha, “onde empresas, governos e pessoas se beneficiam dessas inovações, novos serviços e facilidades.” 

Para isso, é necessário o fomento à inovação, que aumenta o número de startups e geram mais dados, possibilitando a tomada de decisão da população de uma forma mais qualificada.