Estudantes brasileiros sofreram com falta de equipamentos e acesso à Internet durante pandemia

A pesquisa TIC Educação 2020 mostrou como as escolas mantiveram as atividades durante a pandemia de Covid-19 e quais foram os maiores desafios.

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As escolas brasileiras adotaram diversas formas para continuar as atividades pedagógicas durante a pandemia de Covid-19, em 2020, por meio de agendamento para os pais buscarem os materiais impressos nas escolas (93%), criação de grupos em aplicativos ou redes sociais (91%) e gravação de aulas (79%), segundo a pesquisa TIC Educação 2020, do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), divulgada nesta terça-feira, 31.

Mas as alternativas foram acompanhadas de desafios, sendo o maior deles as dificuldades enfrentadas pelos pais e responsáveis para apoiar os alunos nas atividades escolares (93%) e, em seguida, a falta de dispositivos – computadores e celulares, por exemplo – e acesso à Internet nos domicílios dos alunos (86%), problema que afetou principalmente os estudantes de escola pública (93%).

“Os dados desta edição da pesquisa mostram claramente que escolas, educadores, pais e alunos buscaram formas de se adaptar ao novo cenário, enfrentando problemas de infraestrutura e conectividade para seguir com as atividades pedagógicas durante a pandemia”, afirma Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

Escolas

A pesquisa revelou que, antes da pandemia, apenas 21% das escolas ofertavam conteúdos e atividades remotas para os alunos. No ano passado, 87% das escolas adotaram pelo menos uma atividade com o uso de tecnologias

O número foi puxado principalmente pelas instituições da zona urbana, onde a adoção de tecnologias chegou a 96%. Já na área rural, o número foi de 69%.

Conectividade nas escolas

O levantamento também trouxe informações sobre a conectividade nas escolas. Em todo o Brasil, 82% das instituições possuem acesso à Internet. Sendo que, na área urbana, esse número chega a 98% e, na área rural, 52%.

A região Norte do Brasil é a mais prejudicada, com apenas 51% das escolas com conectividade, seguida pelo Nordeste, com 77%. As regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste possuem 94%, 97% e 98% de escolas com Internet, respectivamente.

Entre as escolas sem acesso à internet, os maiores motivos para a ausência de conexão foram a falta de infraestrutura na região (74%) e a falta de infraestrutura na escola (71%).

Quanto à presença de dispositivos digitais, a maior parte das escolas possuem computadores de mesa (91%) ou computadores portáteis (79%). Os equipamentos estão menos presentes nas escolas localizadas em áreas rurais: 76% delas possuem computador de mesa e 65% possuem computador portátil, 37% não contam com nenhum dispositivo.

“O grande desafio é garantir a disponibilidade de dispositivos digitais para uso pedagógico, tanto no que diz respeito à presença de equipamentos quanto à quantidade e condição de conectividade desses dispositivos”, explica Barbosa.

Leilão do 5G

O leilão do 5G pode melhorar o número de instituições com acesso à Internet, já que o Tribunal de Contas da União determinou à Agência Nacional de Telecomunicações que inclua compromissos relacionados à cobertura de escolas para as empresas vencedoras da licitação.

Somente com essa política, o produto interno bruto brasileiro poderia crescer 3,8% até 2025, segundo um estudo da Economist Intelligence Unit (EIU).