Ministério da Justiça e Febraban querem criar estratégia de combate ao crime cibernético

A ideia é aplicar o modelo da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção, unir as forças de segurança federais e estaduais e garantir o apoio entre agentes públicos e privados para desarticular as organizações criminosas.

113

Leer en español

O Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) começaram, na semana passada, discussões para criar uma estratégia nacional de combate a crimes cibernéticos e fraudes eletrônicas.

O ministro Anderson Torres fez uma visita institucional à Febraban em São Paulo, na última sexta-feira, 10. A ideia é seguir o modelo da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro e unir esforços com as forças de segurança federais e estaduais para desarticular as organizações criminosas.

“É um crime que incomoda muito a sociedade, causa prejuízos enormes ao cidadão. A gente precisa ampliar as capacitações e trazer uma mudança de cultura institucional para as Polícias de forma a avançar nas investigações, punir e responsabilizar os criminosos”, afirmou o ministro Anderson Torres.

Segundo a Febraban, o objetivo é ampliar a identificação e repressão dos criminosos, expandir o conhecimento da polícia e promover a cooperação entre agentes públicos e privados.

A federação disponibilizará seu laboratório de Cibersegurança para capacitar as forças de segurança e atuará em campanhas de conscientização da população sobre os riscos cibernéticos e fraudes.

“No ano passado, conseguimos evitar prejuízo aos correntistas na ordem de R$ 4 bilhões e a precisamos da conjugação de esforços com as forças policiais, Ministério e Banco Central”, afirmou Isaac Sidney, presidente da Febraban.

Brasil

O Brasil lidera o ranking dos países da América Latina que mais sofreram ataques cibernéticos nos primeiros oito meses de 2021, com 1.390 ataques a cada minuto. Entre 2017 e 2018, o prejuízo relativo a esses crimes ultrapassou os US$ 20 bilhões (mais de R$ 100 bilhões).

Ao mesmo tempo, o país é o terceiro da América mais comprometido com a Agenda Global de Segurança Cibernética, ficando atrás dos Estados Unidos e do Canadá, segundo a União Internacional de Telecomunicações. No ranking mundial, o país ocupa a 18ª posição.

Para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a atual colocação do Brasil é fruto de diversas ações, como a Política Nacional de Segurança da Informação, de 2018, e das Estratégias Nacionais de Segurança Cibernética e de Segurança de Infraestruturas Críticas, de 2020. A proposta elaborada pelo Ministério da Justiça e pela Febraban seria mais uma ação voltada para a cibersegurança.