Mulheres TIC: cidades inteligentes dependem de cibersegurança e conectividade

Um painel formado apenas por mulheres debateu os desafios das cidades inteligentes e as possibilidades geradas pelo 5G.

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A ampla conectividade, garantia de segurança de informações online e parceria entre academia, gestores públicos e privados são os três pilares que podem impulsionar as cidades inteligentes e sustentáveis no Brasil. Essa foi a mensagem principal do painel formado só por mulheres sobre Transformação Digital para Cidades Sustentáveis, nesta quinta-feira, 22, durante o Abinee Tec 2021.

Pelo lado do acesso à Internet, a diretora de Relações Governamentais da Dell, Rosana Galvão, levantou a questão de que não é possível ter cidades sustentáveis sem conectividade, pois as tecnologias desenvolvidas para mobilidade urbana, educação e saúde, por exemplo, exigem o acesso à Internet para serem utilizadas. 

Eliana Emediato, coordenadora Geral de Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), citou que a questão da conectividade possui atenção do governo. Inclusive, há um grupo de trabalho sobre Infraestrutura e Tecnologia, em parceria com o Ministério das Comunicações, na Câmara de Cidades Inteligentes.

A coordenadora destacou também que o MCTI está montando um trabalho sobre segurança cibernética. Segundo Emediato, a pandemia de Covid-19 impulsionou este assunto que já estava em debate.

Pois, se o problema já existia antes da pandemia, com a migração das relações sociais para o ambiente digital, os riscos aumentaram. Recentemente, um ciberataque tirou do ar os sistemas da rede de saúde do Grupo Fleury e revelou as brechas no setor, por exemplo. Para as painelistas presentes na discussão, esses são os maiores desafios.

Possibilidades

Por outro lado, o 5G já possibilita inúmeras aplicações nas cidades, como salas de aula mais inteligentes. “Já temos, hoje, exemplo na Finlândia no qual se faz uso de robôs para auxiliar os alunos em questões de matemática. E agora eles já estão trabalhando com a questão de testes de língua”, mencionou Fabiana Schurhaus, diretora Técnica da IBM Brasil.

Lilian Pacheco, diretora Financeira da Digital Industries, da Siemens, lembrou de casos de uso em mobilidade urbana. “Eu, como cidadã, vou ter no meu celular a oportunidade de escolher como eu vou me locomover. Se eu sei que o ônibus está cheio e que o trem está mais tranquilo, vou escolher ir de trem ou de bicicleta”, comentou.

Um outro exemplo que foi impulsionado com a pandemia foi a telemedicina. Além das teleconsultas, já é possível realizar cirurgias à distância, utilizando a quinta geração da rede móvel, e com a participação de robôs.

Essas e as demais aplicações habilitadas pelo 5G serão ainda mais estimulados com o leilão, que deve acontecer ainda neste ano no Brasil.

Por fim, Marcia Ogawa, sócia Líder para Indústrias de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte, convidou os gestores do setor público e privado para que tenham em mente os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança, em inglês) e “que busquem a criação de valor de longo prazo, onde a tecnologia e inovação são bases do desenvolvimento econômico sustentável”.

E convidou as mulheres para liderarem um futuro mais sustentável: “Essas características de liderança do novo capitalismo estão codificadas no DNA feminino. As mulheres têm uma sensibilidade diferente, e estamos preocupadas com tudo o que tem relação com capitalismo de stakeholder, com ESG, sustentabilidade e visão de longo prazo. Então precisamos estar preparadas para esse novo futuro”, concluiu.

A Secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, também esteve presente no evento, mas teve que sair antes do debate devido aos compromissos com sua agenda.