Operadoras de telecom têm vantagem ao oferecer serviços financeiros

Executivos das teles veem o acesso aos dados do cliente como vantagem competitiva em relação aos bancos.

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Já não são só os bancos que oferecem serviços financeiros, esse tipo de ferramenta também é disponibilizada por operadoras de telecomunicações. Para Maurício Santos, diretor de Soluções e Produtos Financeiros da Claro, o relacionamento e o engajamento com os clientes fazem com que as operadoras tenham vantagem competitiva em relação aos bancos.

No evento Digital Money Meeting, promovido pelo portal Tele.síntese na semana passada, o executivo disse que, com as informações que as operadoras têm sobre os clientes, é possível oferecer produtos que façam sentido para o usuário. 

“A rentabilização, no nosso caso, ocorre através de serviços financeiros e serviços da própria empresa de telecom. A gente consegue, com esse relacionamento com o cliente e com o uso de dados, oferecer uma solução financeira no momento e nas características que ele precisa. Talvez muito melhor do que qualquer outro banco isolado”, comentou. “Então a gente consegue, com essa inteligência de dados, uma propensão maior para aquele usuário adquirir o serviço.”

Isso deve ser potencializado com o Open Banking sendo implementado no Brasil, segundo Sandro Sinhorigno, diretor de Soluções Financeiras Digitais da Vivo. Ele afirmou que a companhia está otimista com a abertura dos dados bancários e prometeu novos produtos. 

“A gente está bastante engajado porque, a partir do momento que o cliente dá o consentimento de acesso aos seus dados bancários, isso gera uma competição saudável. E a competição faz com que os players criem ofertas melhores para esses clientes”, disse. “E a gente vai ter bastante novidade em todos os nossos produtos, seja  Money, no Pay, no seguro, cartão e também no crédito antecipado.”

Educação

Os palestrantes também abordaram a importância da educação para a inclusão digital e financeira. Para Santos, uma parte da população foi deixada de lado sem serviços durante muito tempo, principalmente aquela que não tinha acesso à Internet ou que eram desbancarizados.

Apesar de a bancarização ter avançado durante a pandemia, principalmente pelo pagamento do auxílio emergencial, ainda existem 34 milhões de brasileiros sem conta bancária ou que a usam com pouca frequência, de acordo com dados do Instituto Locomotiva.

“A gente não pode esquecer que essa população, ao mesmo tempo que tem limitações na digitalização, seja do aparelho mais simples ou em uma região sem muita cobertura, ela tem dificuldade em termos de nível educacional. Eu acredito que a educação financeira com cursos, por exemplo, é parte do processo.”

A Claro tem um aplicativo chamado Claro cursos, em que disponibiliza aulas profissionalizantes e de educação financeira para a base de clientes pré-pago. No ano passado, a operadora também disponibilizou o Descomplica para estudantes do Enem, para facilitar o acesso à educação, concluiu.