Proposta de refarming da Anatel coloca setor de IoT em risco

Empresas que oferecem rede a serviços de IoT criticaram a redução de espectro disponível na faixa de 900 MHz.

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A proposta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a revisão do uso de espectro acendeu uma luz amarela no setor de Internet das Coisas (IoT). Na Consulta Pública nº 52, finalizada em dezembro passado, algumas empresas de IoT apresentaram os riscos de fazer o refarming proposto pela Anatel na faixa de 900 MHz.

A alteração reduz as frequências disponíveis para as bandas de ISM (Industrial, Científico e Médico) – onde operam serviços IoT – de 18,5 MHz para 16 MHz, pois destina parte do espectro ao Serviço Móvel Pessoal (SMP), ao Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) e ao Serviço Limitado Privado (SLP), todos em caráter primário, e ao Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), em caráter secundário.

“Esta redução deixa o Brasil com apenas 61% da banda disponível, e ainda menos se considerarmos a necessidade de bandas de guarda entre os sistemas Celulares e os de Radiação restrita”, indicou a Sigfox.

Para a empresa, isso pode impactar de forma negativa os serviços de IoT, que demandam um enorme volume de dispositivos conectados para serem viáveis. “Esta impossibilidade de expandir serviços se tornará ainda mais danosa por não haver qualquer outra banda possível para expansão dos serviços de IoT que hoje usam a banda de 900MHz.”

Alguns dos problemas citados são o aumento da incerteza sobre o futuro, que afetam as empresas que já investiram no Brasil; desestímulo à entrada de novas tecnologias ou empresas, devido ao elevado risco; e no caso da Sigfox, que possui dispositivos que podem ser utilizados no Brasil, Canadá, Estados Unidos e México, a proposta desalinha os equipamentos e cria custos adicionais para a adaptação dos produtos.

“Caso a mudança proposta na CP52 se concretize, todos os usuários da rede Sigfox  deverão fazer planos para substituição dos Sensores em uso ao longo do tempo. Dado o grande tempo de vida das baterias sensores (de 5 a 10 anos) estes planos serão de longo prazo e obrigarão os usuários a gerenciar um parque misto de sensores”, informou a empresa.

A WND, empresa que oferece rede para serviços de IoT, acrescentou que a proposta em discussão reduz ainda mais o recurso que “já se mostra menor do que em diversos países desenvolvidos, inclusive os Estados Unidos da América.”

Por sua vez, o líder do Comitê de Redes de IoT da Abinc, André Luiz Martins, pediu o adiamento da consulta pública em, no mínimo, 90 dias, “uma discussão mais aprofundada”.

Justificativa da Anatel

Para a Anatel, a mudança na faixa de 900 MHz é necessária devido à evolução dos sistemas IMT (International Mobile Telecommunications). “A canalização estabelecida para a faixa de 900 MHz, com larguras de faixa de (2,5+2,5) MHz com descontinuidade, não atende mais às necessidades tecnológicas e requer atualização, visando permitir implementação de portadoras IMT de, no mínimo (5+5) MHz.”

Por isso, a agência optou por fazer refarming da faixa “com inserção de duplex (2,5+2,5) MHz nas subfaixas 905-907,5 MHz / 950-952,5 MHz, com manutenção da canalização vigente até o vencimento de todas as outorgas do SMP na faixa (2035), e vigência da nova canalização após esse prazo.”