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A Ericsson foi a primeira fornecedora de infraestrutura a viabilizar a rede 5G no Brasil, em parceria com a Claro, via compartilhamento dinâmico de espectro (DSS, na sigla em inglês). A empresa sueca também montou a primeira linha de produção 5G da América Latina, baseada em São José dos Campos, em São Paulo.

Para a companhia, o 5G não é mais uma tecnologia do futuro. “O que nós precisamos agora é da realização do leilão do 5G com a maior brevidade possível”, defendeu Jacqueline Lopes, diretora de Relações Governamentais e Industriais da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, em conversa com a DPL News.

A executiva explicou que a escalabilidade da quinta geração da rede móvel está atrelada ao leilão, porque “ele traz a previsibilidade necessária aos investimentos, a todos os atores envolvidos, e permite que haja o planejamento de como serão as operações em larga escala do 5G no Brasil”.

A operação estava prevista para ser feita no final de 2020, mas, de acordo com o governo, a pandemia impediu que todos os testes de campo fossem realizados a tempo e, por isso, o processo se estendeu para este ano. Agora, o edital da licitação do 5G está em análise pelo Tribunal de Contas da União.

Quanto às regras determinadas no documento aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a diretora elogiou o caráter não arrecadatório do leilão.

“O Brasil tem um dos maiores custos de espectro do mundo. A partir do momento que você converte esse custo em investimento, você consegue não só ampliar a conectividade para as empresas, mas também resulta em uma arrecadação adicional de R$ 26 bilhões”, afirmou. Ela esclareceu que a arrecadação irá aumentar devido a uma maior base de pessoas conectadas.

Até 2030, a digitalização vai responder por um incremento de cerca de R$ 391 bilhões na economia brasileira, acrescentou Lopes. Deste valor, R$ 153 bilhões serão impulsionados apenas pelo 5G.

Para acelerar esse resultado, a Ericsson trabalha com operadoras e universidades para estudar e fornecer o ecossistema de soluções à indústria pautadas na tecnologia. Só em abril, a companhia anunciou dois laboratórios de 5G no estado de São Paulo. Uma parceria com a Claro, a Embratel e o Centro Universitário Facens e com a Vivo e o Centro Universitário FEI.

Além disso, a empresa anunciou o Plano Nacional do 5G com o objetivo de potencializar o efeito de transformação da quinta geração da rede móvel no país. O projeto tem cinco pilares: inovação, espectro, impostos, confiança e aceleração.

Inovação

“Quando nós analisamos, por exemplo, o Global Innovation Index de 2020, reparamos que os 10 países mais inovadores já possuem 5G”, comentou Lopes. “É importante que a gente trabalhe em conjunto no Brasil para melhorar a nossa posição. O 5G também pode vir como uma alavanca da nossa posição no mundo”.

No ranking mencionado, o Brasil ocupa a 62ª posição. Em relação à América Latina, o país está atrás do Chile (54ª), México (55ª) e Costa Rica (56ª).

Espectro

De acordo com a executiva, as recomendações para o espectro estão contempladas na versão atual do edital do 5G, pois oferece faixas de frequências baixas, médias e altas, que atendem às características técnicas de diferentes aplicações, e disponibiliza um espectro amplo o suficiente para o uso efetivo da tecnologia.

E destacou: “A gente reforça a importância do leilão não arrecadatório que trará ganhos para toda a sociedade por fortalecer os investimentos no setor, trazendo esse benefício de forma disseminada”.

Impostos

Lopes afirmou que a carga tributária do setor de telecomunicações é uma das mais altas da economia brasileira e “não condiz com a essencialidade do segmento”. Ela ressaltou que é importante ter cautela com as taxas porque, “no fim do dia, isso traz consequências para os investimentos privados, que são fundamentais para a sociedade”.

Uma análise da Anatel mostra que o Brasil possui a quarta maior carga tributária em telefonia móvel, ficando atrás somente de Burundi, Jordânia e Egito, e a maior carga tributária em banda larga fixa. A pesquisa levou em consideração 170 países.

Confiança

“É importante que as redes digitais sejam seguras, que elas protejam os dados pessoais e as informações confidenciais dos seus usuários”, segundo a diretora da Ericsson. 

Ela disse que a companhia se empenha para que todos os níveis da tecnologia sejam protegidos, “passando pelo desenvolvimento dos produtos, padronização, processo operacional, para que o usuário final tenha essa confiança de que a rede é segura”.

Aceleração

Por fim, a empresa sueca acredita que o caráter disruptivo do 5G se deve ao salto nas verticais do business to business (B2B, na sigla em inglês). 

Por isso, o plano defende o trabalho com indústrias como manufatura, agricultura, saúde e segurança, “para difundir os benefícios da tecnologia, os ganhos de eficiência, o aumento de competitividade e fortalecer essa aceleração.”

Lopes explicou que, com o Plano Nacional do 5G, a expectativa é que o país tenha as melhores condições de usufruir dos benefícios da quinta geração da rede móvel.

“O 5G já é presente, não é futuro”, defendeu a executiva, “mas a confirmação e a realização do leilão é muito importante para alavancar os benefícios da tecnologia. […] Quanto mais cedo ocorrer a licitação, mais ganhos serão antecipados”.