“Somos vistos como grande máquina arrecadadora de impostos”: Claro

Paulo César Teixeira, CEO da Claro, elogiou o leilão do 5G não arrecadatório no Brasil, mas ressaltou barreiras à transformação digital no país.

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O Brasil caminha em uma boa direção com o leilão não arrecadatório, mas que exige compromissos de cobertura no país. Isso será mais relevante para as regiões remotas do Brasil, onde não há conectividade. Entretanto, ainda há duas grandes barreiras para a transformação digital nacional: os altos impostos e a dificuldade de instalação de antenas nos municípios, segundo Paulo César Teixeira, CEO da Claro.

Durante sua participação no Painel Telebrasil nesta terça-feira, 21, o executivo explicou que o setor de telecomunicações no país é bastante penalizado pelos altos impostos e pela matriz tributária complexa. “Somos vistos como uma grande máquina arrecadadora desses impostos, que penalizam o consumidor final de baixa renda, porque ele não suporta pagar aquela tarifa.”

Uma análise da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostra que o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do setor, que chega a 43,6%.

“Acho que caberia ao Brasil, dada a perspectiva que se tenha do 5G e desenvolvimento da agregação de consumo, que nós tenhamos uma redução gradativa desses impostos. Isso naturalmente vai fortalecer o Brasil, vai fortalecer a digitalização e vai permitir que pessoas menos favorecidas também possam usufruir desse benefício”, opinou Teixeira.

O segundo grande desafio é quanto à dificuldade de instalação de antenas nos municípios brasileiros. “Temos visto que muitos municípios avançaram, modernizando as suas leis, simplificando os processos e sendo muito ágeis na aprovação. No entanto, a grande maioria continua com legislações bastante antigas e obsoletas, com obrigações incumpríveis, principalmente nas periferias”, explicou.

Ele citou que, algumas vezes, as periferias não possuem a largura de via de passeio mínima necessária para a instalação de antenas, mostrando que os legisladores desconhecem a realidade da cidade. “E isso nos imperioso, porque se não houver antena, não tem 5G.”